Segunda-feira, Janeiro 03, 2011

Mudamos para o VITHAIS!

Amigo,

A partir do início deste ano de 2011 estamos em um novo endereço na web, o VITHAIS, em www.vithais.com.br, onde todos os artigos deste site estão locados juntamente a vários outros materiais por nós  produzidos em diferentes endereços na internet.

Sinta-se desde já convidado a estar conosco neste novo endereço a partir de agora!


Espero você por lá!

Abraço.

João Luís de Almeida Machado
www.vithais.com.br

Segunda-feira, Dezembro 27, 2010

Promessas de Ano Novo


E lá estavam todos novamente reunidos. Amigos de longa data, todos os anos faziam uma divertida confraternização no reveillón. Conheciam-se desde a adolescência, os laços foram tão fortes que mesmo se distanciando na faculdade, morando em diferentes cidades e formando suas famílias, mantiveram-se próximos. As esposas se tornaram amigas e, as crianças até estudavam na mesma escola em que todos haviam se formado.

Mário, Armando, Flávio e Fernando eram agora profissionais, bem estabelecidos e bebericavam enquanto trocavam ideias num canto da sala do apartamento de Jonas, o anfitrião. Falavam sobre o ano que estava terminando. Sucessos, lucros, vitórias, a correria, as dores de cabeça, as aplicações, os funcionários ou colegas com os quais dividiam espaço. 

Mário era engenheiro e estava consolidado numa grande construtora, tocando obras em bairros nobres, construindo condomínios ou prédios de alto preço. Flávio tornara-se dentista e aproveitara o fato do pai também ter atuado na área para que seu consultório, criado junto com o do pai, lhe permitisse herdar a clientela. Armando era administrador de empresas e, depois de muitos anos trabalhando numa multinacional, criou sua própria empresa, na área de tecnologia e internet e contabilizava as vantagens da opção que fizera, ao se tornar seu próprio patrão. Fernando, o idealista, era professor universitário, terminara o doutorado e, do grupo, era aquele que tinha o padrão de vida mais modesto, ainda assim estava a vontade e mostrava-se satisfeito por sua opção profissional e carreira.

A eles se juntou então o dono da casa, Jonas, que não concluíra a faculdade de economia que começara a cursar para tocar a rede de depósitos de material de construção que pertencia a sua família há mais de 3 décadas. Estava rico e vivia nesta bela cobertura num dos bairros mais nobres da cidade. 

Todos haviam se casado. Logo que concluíram a faculdade os amigos Mário, Flávio e Fernando se uniram, respectivamente, a Marina, Isabella e Laís. Tinham filhos adolescentes que estavam prestes a enfrentar o vestibular. Armando, por sua vez, estava no segundo relacionamento, com Clara. Casara-se tarde, dera maior atenção a carreira que a mulher, perderam ambos a paixão e cada um foi para um lado. Nenhum filho viera ao mundo, o que facilitou a separação. Jonas, o milionário, agora contabilizava a terceira esposa, uma jovem de 24 anos chamada Cleide, um pouco mais velha que sua primeira filha, de seu prematuro casamento, quando ainda tinha 19 anos. Tinha 5 filhos no total, sendo os 3 primeiros de seu enlace inicial com Mariana e 2 da segunda relação, com Tereza.

Papo vai, papo vem, eis que eles, depois de rolarem alguns uísques, cervejas e cálices de vinho, acompanhados de queijos, salames, presuntos, amendoins, castanhas e pistaches resolveram colocar em pauta as promessas de ano novo. Neste momento ao clube do 'bolinha' se reuniram as 'luluzinhas', que até então estavam na sacada a conversar animadamente sobre os presentes de Natal, as viagens programadas para as férias de janeiro, os problemas com os filhos...

- Este ano vou parar de fumar - afirmou categoricamente Armando.
- Tomara que sim! - Disparou Clara, ciente de que sua opinião não apenas poderia estimular o marido mas também lhe garantir um cheiro mais agradável nos arredores tendo em vista que o fedor do cigarro lhe irritava e por vezes causava náuseas...

- Vou realizar o meu ano sabático - proclamou Flávio.
- Não será totalmente sabático, ou seja, terei que trabalhar alguns meses e alternar estes dias de labuta com as viagens que queremos fazer em família, senão não dá para encarar os custos, mas é isto que pretendemos!

- Já estamos programando há mais de 3 anos e, como no ano que vem a Bruna vai para a faculdade, queremos realizar este sonho em família. Depois vai ficando mais difícil, cada  um seguindo seu rumo... - Completou Isabella, a esposa do dentista.


- Estamos pensando em abrir mais 3 depósitos no ano que se inicia, em cidades vizinhas, para ampliar o negócio, aumentar os rendimentos... - Antecipou-se Cleide, a esposa de Jonas, que era responsável pelas finanças da empresa familiar. Fora contratada para esta função tanto por suas qualidades profissionais quanto pela bela figura que era, com seus olhos azuis destacados, corpo escultural e longas madeixas loiras (não naturais é claro, porque Deus é pai, mas tem que olhar por todos e não somente por alguns...).

Jonas ficou quieto e olhou para a jovem esposa, que tinha quase a metade de sua idade, com ar de quem não gostou da antecipação das intenções de sua empresa. Os amigos eram de confiança, mas seus filhos dos casamentos anteriores estavam por ali e podiam alertar as mães, sempre sequiosas por melhores pensões... Além disso, as esposas de Flávio, Fernando e Mário ainda eram amigas de suas duas esposas anteriores...

- Vou levar a sério a Academia no ano que se inicia - Disse, tentando mostrar convicção, o obeso Mário. Suas andanças profissionais e contatos com clientes e fornecedores o faziam alimentar-se todos os dias fora de casa, em restaurantes com cardápios convidativos, por isso engordara muito desde a adolescência e estava visivelmente fora de forma.

- Tomara que leve a sério mesmo - falou Marina - Todos os anos ele promete a mesma coisa, mas dificilmente cumpre. Até começa a ir a ginástica ou caminhar, mas depois de 2 ou 3 semanas, vai arrumando desculpas para não ir... A questão agora não é mais somente estética, mas seu médico falou que as complicações com colesterol e triglicerídeos estão minando a resistência e colocando o coração em risco... Isso fora a pressão descontrolada, sempre alta, que sobe ainda mais quando os problemas no trabalho ou em casa surgem!

- Para o ano novo quero mesmo é trocar os carros, fazer aquela viagem para a Europa e, de quebra, terminar a mansão que estamos fazendo no novo condomínio de luxo da cidade. - Sonhou alto Jonas.

- Olha, quero melhorar de vida, realizar alguns sonhos e projetos, passar em concurso para uma universidade federal, publicar um livro e, principalmente, ajudar as pessoas que precisam, participar de projetos sociais, ambientais ou culturais. - Atestou Fernando.

- É, este é o nosso sonho de vida. - Arrematou Laís, a esposa de Fernando, que é também professora.

- Talvez vá morar num sítio, ter uma horta, consumir produtos orgânicos, diminuir o ritmo da correria, esta intensidade louca que nos consome, ter mais tempo para a família, ver os filhos crescer, tomar um cálice de vinho ao final do dia, ler aqueles livros que estão acumulados nas prateleiras de casa, ouvir as músicas que sempre curti, passear com meus cães, dar um mergulho em alguma cachoeira ou lago próximo... Acho que é isso que quero, além das aulas, provas, alunos... - Finalizou Fernando.

- Sonhos de gente sem ambição, que sonha pequeno, não quer ganhar o mundo, não percebe que é o dinheiro que movimenta o universo... - Disse um já levemente embriagado Jonas.

- Concordo em grau, número e gênero - Reforçou Armando com um copo de uísque na mão a embalar suas opiniões.

- Que o dinheiro faz falta, certamente que sim, não há dúvidas - retrucou Fernando - Mas, viver em função disso é que adoenta, nos faz pequenos... Não há pequenos ou grandes sonhos, há apenas sonhos, de gente diferente, com propósitos e ideais diversos. Ainda bem que é assim, se fôssemos todos iguais, certamente o mundo seria muito chato!

- Mas, Fernando, você há de convir que os apertos no final do mês por vezes o deixam de cabelo em pé, não é mesmo? - Perguntou Armando.

- Sim. Deixam mesmo. Somos muito corretos e não gostamos de ficar devendo ou de entrar no vermelho. Menos ainda de recorrer a familiares ou empréstimos. Posso até ter algumas dores de cabeça em função disso, mas ainda assim deito a cabeça em meu travesseiro ao final do dia e durmo o sono dos justos. Não exploramos ninguém! - Afirmou o professor - dando uma leve cutucada em Jonas, cujos depósitos prosperavam a base de juros cobrados nas vendas a prazo...

Vendo que a situação estava esquentando um pouco e que os ponteiros do relógio já estavam prestes a cruzar os limites entre um ano e outro, Laís e Marina interromperam as discussões e colocaram um fim nas promessas de ano novo de seus maridos auxiliadas pelas outras esposas. Propuseram um brinde e iniciaram a contagem dos segundos finais para esta nova etapa da vida de todos. E com as taças de champanhe a tilintar, juntando os amigos ali presentes, deram adeus ao ano velho e desejaram paz, amor, saúde, felicidade, prosperidade e tudo o mais a cada um dos presentes...

Ao final da festa, com todos indo para suas respectivas casas, na cabeça dos amigos ainda se faziam presentes as promessas... Cada um com suas apostas para o novo ano, com dúvidas sobre a dos outros... E você, o que pretende? Quais são suas promessas? O que vai fazer de sua vida no próximo ano? Já parou para pensar nisso?

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

Sexta-feira, Dezembro 24, 2010

Pensamentos breves para iluminar o seu Natal!


Nos sonhos tenho sempre a certeza de que o mundo é melhor. Neles as pessoas se gostam de forma sincera, sem interesses escusos a orientar suas ações. Quem precisa de ajuda é socorrido, auxiliado e a pessoa que realiza tal ação se sente bem por isso, por sua prestatividade. O amor está no ar e envolve a todos como o mais forte e genuíno sentimento a embalar os sonhos. Filhos e pais dialogam, compartilham seu tempo, admiram uns aos outros. Não há espaço para drogas, ilusões falsas, violência... Estamos todos vivendo em paz e harmonia, abraçados pelos valores que tanto exaltamos em nossas falas. Deus está presente todo o tempo. E então me pergunto: Porque a vida também não pode ser assim?

Pratique a bondade e a gentileza todos os dias. É um remédio infalível e santo contra todos os males. Você fará com que o seu próximo se sinta muito melhor e, além disso, toda a positividade de suas ações reverterá também em seu benefício. Sorria para alguém, sirva a um amigo, ofereça auxílio a quem precisa, dirija palavras de estímulo a uma pessoa que passa por momento difícil, empatize nos momentos difíceis e também nas vitórias, celebre a vida ao seu redor!

Esperança carregamos todos nós no peito a cada raiar de sol. Acreditamos, vamos a luta, queremos melhorar, realizamos. Por vezes desanimamos porque os resultados almejados ainda não foram atingidos. Dormimos insatisfeitos ou infelizes pelas realizações não concretizadas. Mas na manhã seguinte, faça chuva ou sol, despertamos novamente imbuídos da irresistível vontade de conseguir chegar lá e, continuamos nossas jornadas, peregrinando atrás do possível e do impossível. Cheios de esperança num num mundo melhor, concretizado a cada nova ação de cada um e de todos nós.


Prosperidade, este é um dos maiores desejos de todas as pessoas. Em final de ano está em nossos cumprimentos para os dias que estão por vir. Pensamos, na maioria das vezes, em progresso material, maiores ganhos salariais, trocar de carro, adquirir a casa dos sonhos, viajar para o exterior ou dentro do país... Tudo muito justo e de acordo, afinal de contas, o trabalho está aí, dia após dia, sendo realizado com esmero, com suor a escorrer de nossos rostos... Que esta prosperidade seja de cada um e de todos, e não apenas material, mas física, emocional, nos seus relacionamentos, no conhecimento, na solidariedade, na ética, na cidadania... Que além disso, tenhamos também prosperidade para todos os brasileiros, em especial para os mais humildes!

Natal é tempo de oração, família, alegria. É dia de nascimento, de luz, de fé. É, acima de tudo, esperança de dias melhores, de muita saúde, paz. Natal é felicidade, solidariedade e, sobretudo, amor. Que a Sagrada Família e o menino Jesus iluminem a todos, são nossos sinceros desejos!

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

Quinta-feira, Dezembro 23, 2010

É Natal... E o que ensinamos as crianças sobre isso?


Lojas lotadas. Shopping Centers onde as pessoas mal conseguem andar. Ruas de comércio popular em que as vendas superam os recordes dos anos anteriores. Economia aquecida por um saudável crescimento de quase 5% e pela queda dos índices de desemprego. Mais dinheiro no bolso em virtude do 13º salário. Comerciantes e consumidores em comunhão no sentido mais evidente do Natal, o consumismo...

Ceias fartas, mesa cheia com todas as guloseimas próprias dessa época do ano. Peru assado, farofa, tender, lombo, salpicão, bacalhau, maioneses, saladas, nozes, castanhas, panetones, rabanadas e tantos outros pratos se tornaram verdadeiras tradições na mesa de muitas e muitas famílias de brasileiros. E aqueles que não tem o que comer?

E a publicidade na televisão? Bonecas que falam ou que comem, carrinhos controlados por controle remoto, novos modelos de autoramas, videogames com fantásticos efeitos, ursos de pelúcia, bolas dos mais variados esportes, roupas de grife, tênis importados... Tudo ali, diante dos olhos de nossas meninas e meninos, criando ilusões e estimulando a necessidade cada vez maior de comprar, comprar e comprar...

Mas, será que é esse o espírito de Natal que queremos que nossas crianças e adolescentes conheçam? Por que será que nos envolvemos nessa agitação febril que toma conta de nosso país (entre outros) e nos lançamos ferozmente as compras? Quantas crianças sabem ao certo o que significa essa data que celebramos com a entrega de presentes e com a organização de uma grande ceia? Que sentimentos estamos alimentando em relação aos motivos que nos levam a comemorar o nascimento de Jesus Cristo?

Não há problema algum em comprar presentes para as crianças ou para amigos e parentes. Não se sintam culpados por gastar o dinheiro que ganharam ao longo do ano com muito suor para dar um brinquedo ou uma roupa a pessoas pelas quais tenham carinho e afeição. A questão não é essa. Não estamos condenando uma prática que é repetida a milhares de anos, não apenas dentro de celebrações cristãs, mas também em outras religiões e mesmo fora do âmbito meramente espiritual.

Além do que, vale ressaltar, que a recuperação econômica do nosso país, depois de anos e anos de dificuldades, crises, recessões e “períodos de vacas magras” nos estimula a aproveitar o momento. As compras são importantes porque, também, movimentam o comércio, aquecem a indústria, aumentam as vendas dos agricultores e pecuaristas, num intenso e saudável crescimento econômico, dentro e fora de nosso país. Só por isso já se justificaria a continuidade das compras nessa (ou em qualquer outra) época do ano...

Se o problema não é comprar, qual é a dificuldade?

Temos que relembrar, a todo o momento, que a festa de Natal está relacionada ao nascimento do menino Jesus. Na prática, significa restabelecer um elo de ligação entre o nosso mundo, as nossas crenças, a nossa filosofia e ética as idéias e pregações de Cristo e de seus apóstolos, bases que sedimentam a civilização ocidental e garantem a sua sobrevivência.


Natal é, verdadeiramente, tempo de paz e de amor. Época do ano em que devemos ir além daquilo que realizamos durante os outros meses em termos de solidariedade pelo próximo. Temos que fazer mais, doar mais do nosso tempo, prestar mais auxílio a quem necessita, atender com mais presteza aqueles que não tem a mesma sorte e oportunidades que tivemos em nossas vidas.

“Estender a mão” não é apenas uma metáfora. “Dar a quem tem fome” não é somente um refrão. Ajudar aos pobres e oprimidos não deve ser visto apenas como mais uma frase bonita que compõem os evangelhos e os ensinamentos de Cristo.

Temos que viver esses exemplos. Ir a asilos e casas que dão apoio a crianças órfãs. Disponibilizar tempo para visitar pessoas doentes que precisam de apoio e solidariedade. Rever os amigos e parentes para celebrar a amizade, o respeito e o amor que sentimos uns pelos outros. Enterrar as desavenças e os desentendimentos em favor da tolerância e da união. É o período do ano mais adequado para lavar a alma, levantar a poeira e dar a volta por cima. É tempo de recomeçar!

Nos últimos anos, para ser mais preciso na última década e meia, tem surgido de forma espontânea no Brasil uma série de grupos estruturados a partir da sociedade civil, que se prontificaram a ajudar de forma concreta aos setores menos favorecidos de suas comunidades. São pessoas que se organizaram para coletar alimentos e distribuir cestas básicas, conseguir e doar brinquedos, providenciar abrigo e roupas, dar atenção e distribuir bondade. Não querem apenas dar algo material, pretendem alimentar o espírito de Natal a partir de ações em que não pedem nada em troca.

Para os que ficaram preocupados com a questão da caprichada refeição da noite de Natal, vale lembrar que a comida, nesse caso, é um grande pretexto para unir, numa mesma mesa, parentes e amigos. Essa prática remonta a própria idéia da Santa Ceia, em que Jesus se reuniu com seus apóstolos.

A correria do dia a dia, os afazeres profissionais e domésticos, as preocupações com contas a pagar, compromissos dos filhos e tantas responsabilidades nos tiram, ao longo do ano, a possibilidade de ter esse momento de desfrutar da companhia de nossos pais, avós, tios, sobrinhos, irmãos e amigos. Isso não justifica nossos exageros à mesa, pelo contrário, não devemos nos esquecer que o dia seguinte pode ser marcado por indisposições ou mesmo dores de barriga. Devemos comer sim, satisfazendo nossas necessidades e desejos, mas sem ultrapassar os limites naturais de nossos corpos...

Vale relembrar que, felizmente há um grande contingente de pessoas mobilizadas articulando a realização de refeições coletivas para ajudar as pessoas mais carentes. Existem tantas outras atuando em favor da coleta e entrega de cestas básicas. E você, o que tem feito a esse respeito? Tem ajudado com doações de alimentos? Tem participado de mutirões? Doou dinheiro para que essas festas comunitárias pudessem ser realizadas?

O espírito de Natal pede maior participação e atuação no âmbito social. Não é só uma questão de imagem perante a sociedade. O mais importante é se sentir bem. Saber que de alguma forma, você pôde ajudar alguém que realmente precisava do seu auxílio. Fazer o bem faz muito bem para quem é ajudado e, também, para quem realizou a boa ação. O Natal, data do nascimento de Jesus Cristo, é ocasião perfeita para nos lembrarmos disso e realizarmos isso na prática...

Obs. A propósito, destaco nesse texto as ações positivas que devemos desempenhar em especial nessa época do ano, mas gostaria de lembrar que essa disposição deve permanecer ao longo de todos os outros meses, para que possamos fazer um amanhã melhor, mais justo e digno para muitas e muitas pessoas.

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

Quarta-feira, Dezembro 22, 2010

A Voz das Crianças: Lições que vêm do coração


As crianças em raríssimas oportunidades são escutadas pelos adultos. Prevalece a idéia de que a experiência e a maturidade dos mais velhos deve sempre ser a base que orienta e educa, que dá rumo e estabilidade aos mais novos. Há uma certa dose de razão nesse tipo de pensamento, porém ele não implica, necessariamente, num fechamento radical em relação aos posicionamentos, raciocínios e deduções elaborados pelos pequenos. Temos que nos dispor a prestar atenção ao que dizem para que possamos, inclusive, repensar alguns de nossos atos, algumas de nossas práticas...

Digo isso respaldado pela experiência de quem atua em sala de aula e considera essa situação como muito mais que um momento de ensino, onde são dadas aulas, com experiências e conhecimentos sendo ‘passados’ num único sentido, do professor para os alunos. Sempre aprendo muito quando estou com os alunos e, diferentemente do que dizem muitos professores, isso não é apenas um chavão. Deve existir um comprometimento por parte dos educadores nesse sentido para que a prática pedagógica seja realmente eficiente.

Temos que estar atentos as falas de nossos estudantes para que possamos perceber quem são essas pessoas tão especiais que passam boa parte de seu tempo conosco em sala de aula. Podemos melhorar nosso trabalho, analisar nossas falhas, perceber nossos acertos, descobrir pontos de encontro que nos tornem mais próximos dos alunos, deduzir novas possibilidades para nossas aulas no que tange a metodologia,...

E quando falo isso não estou me referindo apenas ao universo em que trabalho atualmente, no Ensino Médio ou na Universidade, mas, principalmente, entre as crianças da Educação Infantil ou do Ensino Fundamental.

Quando, por exemplo, minha filha Thaís tinha apenas sete anos e estava no 1º ano do Ensino Fundamental, fez duas afirmações que nos motivaram, em família, a uma pequena reflexão.

Na primeira delas, com um ar de alegria e contentamento próprio das crianças que estão sempre dispostas a conhecer e mostrar aquilo que aprenderam, ela nos perguntou porque as escolas não tinham aulas de cozinha.

Imediatamente nos pusemos a discutir as possibilidades de uma aula semanal numa cozinha educacional (como um laboratório) que porventura existisse em escolas públicas ou privadas. Pensamos (eu e minha esposa, orientadora educacional) que aulas em cozinhas poderiam ensinar muito mais que simplesmente como preparar bolos, fritar ovos ou fazer café (sem demérito algum para isso, mesmo porque esse conhecimento é essencial e tem sido perdido ao longo do tempo em virtude da correria que acomete a vida da maioria das pessoas, que acaba se alimentando de forma irregular e insatisfatória nas ruas ou com alimentos semi-prontos).

Imaginamos que daria para ensinar noções de higiene e conhecimentos científicos a partir de exemplos práticos percebidos no próprio trabalho com alimentos, sua preparação, seleção, cozimento, tempero,... Coisas simples como lavar os alimentos, quantidades, a evaporação da água, a absorção de sal e outros condimentos pelos alimentos, o que fazer em caso de acidentes (primeiros socorros), cuidados com o gás e com elementos cortantes,...

Daria para estudar história e ver como os alimentos surgiram e o que já se fez ao longo do tempo pela posse de recursos como especiarias, sal, açúcar, cereais, vinhos,... Seria possível pedir para os estudantes descreverem os procedimentos e criar receitas a partir daquilo que fizeram na cozinha, aperfeiçoando sua capacidade de redigir e compor textos. Conseguiríamos ensinar geografia indicando a origem dos alimentos, tipos de solos mais propícios ao plantio, regiões de criação de gado, exportadores mundiais de certos tipos de produtos,...

Ufa! Isso é só uma amostra, que poderia ser aperfeiçoada com o auxílio de especialistas das diversas disciplinas, em comum acordo, criando uma relação interdisciplinar permanente, de fundamental importância para a educação conforme os maiores especialistas da atualidade. E olha que eu nem mencionei a possibilidade de trabalhar com arte nas aulas de cozinha (ou de gastronomia ou alimentação, para ficar mais sofisticado).

Acima de tudo percebemos o caráter lúdico, prazeroso e encantador desse tipo de trabalho, capaz de seduzir qualquer criança ou adolescente, mesmo os mais arredios a trabalhar com disposição e, verdadeiramente, aprender. Isso tudo a partir dos comentários de uma criança de sete anos de idade...

O outro comentário de minha filha referia-se a necessidade de criar aulas de judô, natação ou outros esportes nas escolas. Ao pensarmos sobre isso nos lembramos das aulas de educação física, entretanto percebemos que o que ela estava sugerindo era na verdade o surgimento de escolinhas de esporte que conduzissem as crianças ao esporte competitivo, participando de torneios locais, regionais, estaduais ou mesmo nacionais.

Lembrei-me que essa é a principal receita para o sucesso dos Estados Unidos em grandes competições internacionais, inclusive Olimpíadas. Imaginei que o esporte cria um sentido de disciplina, prepara o corpo e também a mente, direciona as energias e esforços para realizações que engrandecem, seja na vitória ou na derrota.

Fiquei me questionando se as aulas de educação físicas têm sido apenas uma complementação de carga horária e a resposta das escolas a uma requisição do MEC (Ministério da Educação e Cultura) ou se existem projetos que objetivam superar essa morosidade e implementar uma prática esportiva realizadora, que vise crescimento e conquistas. E quando me refiro a conquistas, as medalhas são apenas parte dessas realizações, as maiores seriam tirar crianças e adolescentes das ruas, das drogas, da ociosidade e torná-los cidadãos.

As crianças têm tanta sabedoria em suas falas ingênuas e puras que, para complementar o raciocínio, vou contar-lhes uma história vivida por alguns amigos próximos. Sua filha, que naquela ocasião tinha quatro anos, foi internada em virtude de uma pneumonia, tendo ficado no hospital por quase 3 semanas. Durante esse tempo todo, preocupados com a criança, a mãe e o pai se organizaram para estar o tempo todo ao lado da menina, dando-lhe todo o respaldo e cuidados, carinho e atenção.

Quando o médico estava prestes a dar alta, ao ser informada pela mãe que voltaria para casa, a criança perguntou se a mãe iria continuar ao lado dela o tempo todo. Ao ouvir que isso seria impossível, pois a mãe teria que retornar ao trabalho, a criança perguntou porque seria necessário voltar ao serviço, ao que a mãe respondeu, como qualquer um de nós faria, que o trabalho ajudava a comprar roupas, comida, brinquedos...

Então, a Criança disse a mãe que não precisava de mais roupas ou brinquedos, que preferia contar com a presença materna ao seu lado ao invés de ganhar novos presentes... Sábias palavras, vindas de quem, do alto de sua pequena experiência, já percebeu que roupas e brinquedos não substituem sentimentos, afeição, proximidade, carinho...

Será que é preciso dizer algo mais?

Por João Luís de Almeida Machado

Terça-feira, Dezembro 21, 2010

Férias Escolares? Aproveite em família!


Não foram poucas às vezes em que vi ou ouvi os pais se lamentando pela chegada das férias. Nada poderia ser mais desanimador para as crianças e adolescentes do que saber que seu pai e sua mãe não ‘curtem’ a possibilidade de todos estarem juntos durante períodos mais longos de tempo. As férias existem também para isso, para estreitar os laços familiares, aproximar pais e filhos, criar espaços de diálogo e definir uma verdadeira e duradoura amizade  entre os membros da família.

O tempo passa muito rapidamente e não percebemos isso, de repente nossas crianças se tornaram pré-adolescentes ou adolescentes, estão às vésperas de exames vestibulares, se preparam para morar fora enquanto estudam em universidades e, finalmente, decolam para seus vôos particulares, em que viverão suas vidas totalmente independentes de nossa existência...

Quando abrimos os olhos e percebemos a forma como o tempo se esvai ficamos nos lamentando pelos momentos que não vivemos, emoções que não extravasamos, beijos e abraços que não demos, pelo carinho que somente pensamos em dar mas que não concretizamos...

Ser pai e mãe envolve cobranças, castigos, ‘puxões de orelha’ e regras. Temos que cobrar disciplina de nossos filhos desde os primeiros passos que eles dão para que eles possam se adaptar aos rigores do mundo em que vivemos. Todos os pais se sentem responsáveis por esse amadurecimento necessário pelo qual seus filhos tem que passar. Entretanto temos que alertar para a necessidade de uma presença mais participativa e carinhosa nessa relação entre pais e filhos.

Férias em família pode ser um momento de intensa união, de programas conjuntos, de solidariedade e diversão. É um tempo sem igual, que se for bem aproveitado pode ser relembrado ao longo de toda a vida tanto dos adultos quanto das crianças e adolescentes.

E não é necessário fazer estragos no orçamento doméstico para conseguir isso. Pelo contrário, as melhores fórmulas são justamente as mais simples e baratas. Aquelas que envolvem principalmente a participação, a presença dos pais, são muito mais valiosas do que qualquer uma que envolva investimentos mais altos. Uma volta de bicicleta na praça da cidade, uma visita ao clube ou a quadra de esportes do bairro para jogar bola, brincar com carrinhos ou bonecas na sala de sua casa, ler histórias de livrinhos infantis e revistas em quadrinhos, montar um quebra-cabeças de muitas peças ou mesmo se divertir visitando algum museu ou exposição podem ser ótimos programas aos olhos de nossos filhos.

Lembro-me com clareza dos dias em que íamos a praia, que ficava a poucos metros de nossa casa. Brincávamos na areia com nossos baldinhos, fazíamos castelos e buracos onde a água do mar se depositava como se tivéssemos nossa própria piscina particular, jogávamos frescobol, corríamos atrás de alguma bola de futebol ou simplesmente nos banhávamos em mergulhos infindáveis.

Tenho certeza que todos nós conseguimos recordar diferentes situações em que estivemos reunidos com nossos pais, irmãos e amigos a jogar baralho, assistir algum filme ou desenho animado no cinema da cidade, jogar conversa fora lembrando histórias de extraterrestres ou de fantasmas ou ainda ajudando na cozinha a espera de algum petisco saboroso para acompanhar a sessão da tarde.

É justamente por esse motivo que fico indignado quando escuto as lamurias dos pais quanto ao mês de férias que os aguarda. As crianças em casa passaram a ser vistas como problema ou então como gastos adicionais. A geladeira precisa estar constantemente abastecida, é necessário agendar passeios caros, a insatisfação dos filhos parece sempre ser maior do que o contentamento, eles parecem estar a todo o tempo nos nossos pés pedindo alguma coisa,...

Não encarem dessa maneira. Revertam essas expectativas. Pensem nas boas alternativas que se apresentam a partir dessa fortuita reunião familiar.

O primeiro e mais importante passo é discutir possíveis programas conjuntos e definir que há um orçamento que deve ser respeitado. Não crie fantasias que não podem ser cumpridas. Jogue limpo, coloque todas as cartas na mesa, torne-os aliados para que as férias sejam realmente interessantes para todos.

Façam uma pesquisa das alternativas existentes em sua cidade ou região. Há muitos programas gratuitos ou em conta. Torne a estadia em sua própria casa uma lembrança das mais agradáveis para seus filhos. Se os seus filhos forem crianças vocês podem relembrar brincadeiras de seu tempo de infância que eles provavelmente desconhecem como esconde-esconde, cabra-cega, pega-pega, amarelinha ou o jogo de tacos. Outras possibilidades seriam passeios de bicicleta, jogar bola, desenhar e pintar, brincar com massinhas, criar a partir de sucata...

Também são muito legais os momentos culturais como as visitas a museus ou parques, as leituras em família, as idas ao cinema e ao teatro. Por exemplo, no Vale do Paraíba (onde resido), há o Sítio do Pica-Pau Amarelo em Taubaté que traz de volta para os adultos o gostinho de infância e desperta a nossa meninice enquanto, ao mesmo tempo, encanta as crianças em virtude da presença de Emília, Visconde, Dona Benta, Narizinho, Pedrinho...

De todas essas experiências façam despertar a necessidade de externar os sentimentos de seus filhos. Peçam a eles que relatem o que sentiram, de que forma o passeio ou a brincadeira foram vivenciados em suas intimidades, o que foi válido, o que não foi tão legal.

Se possível tire muitas fotos. Guarde recordações de cada um dos momentos vividos. Mostre seu interesse para que as crianças percebam o quanto tudo o que estão vivendo é especial para vocês também. Há uma certa frustração entre os nossos filhos quando eles percebem que tudo aquilo só está sendo feito para a satisfação deles mesmos. Esse sentimento de solidariedade em relação aos pais tem que ser percebido e valorizado. Ria e se divirta junto com seus filhos, isso também representa uma alegria indescritível para eles.

Não se esqueçam de visitar amigos e parentes. Vá à casa de seus pais para que seus filhos tenham um contato permanente com os avós (paternos e maternos). Permita que seus filhos se encontrem com regularidade com os primos e amigos, especialmente da mesma idade, para que possam se divertir juntos e saber o que está acontecendo na vida dessas pessoas que lhes são próximas e queridas.

Acima de tudo, valorize o seu encontro com seus filhos. Todas as atividades programadas e momentos vividos são especiais porque permitem que vocês estejam juntos deles. Esse calor e carinho têm que ser sentidos. O amor que existe entre vocês se torna ainda maior a cada novo dia compartilhado, a cada hora em que vocês estão juntos. O período de férias é a época do ano mais propícia ao estreitamento da união entre pais e filhos, vivam esse período com grande intensidade. Isso será eternamente lembrado!

Obs. Gostaria de agradecer aos meus pais e irmãos por tudo o que vivemos juntos em nossas vidas e em nossas férias conjuntas. Gostaria de agradecer a minha esposa e a meus filhos por tudo o que vivemos juntos em nossas existências. Gostaria de agradecer a Deus que possibilitou todos esses encontros maravilhosos...

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

Segunda-feira, Dezembro 20, 2010

O Expresso Polar: O Natal e seu verdadeiro sentido


Você não acredita mais em Papai Noel? Não consegue ouvir os guizos de Natal a tilintar na véspera do nascimento de Jesus Cristo? É muito provável que você tenha crescido demais. Que tenha ultrapassado não só a barreira cronológica da infância, mas que tenha sufocado a criança que deveria existir dentro de você. O que acha de reencontrar toda a graça, felicidade e satisfação que existe nessa mágica época do ano?

Natal é tempo de bondade. É um período em que as pessoas se sentem mais motivadas a estender suas mãos aos outros e lhes mostrar toda a sua generosidade e simpatia. E é justamente nesse ponto que entendemos que a mensagem de Cristo incorpora-se ao cotidiano das pessoas através de ações e sentimentos.

Amar ao próximo como a si mesmo não é só um belo pensamento, representa toda uma filosofia de vida. Supera o simples sentido das palavras ao se revelar no Natal em doações de tempo, carinho, atenção ou mesmo alimentos e brinquedos. É extremamente confortante e animador quando vemos pessoas que se vestem de Papai Noel e vão às ruas para dar um pouco de esperança e felicidade para os mais desprovidos entre todos.

Meus filhos estavam com dúvidas a respeito da existência do bom velhinho. Já haviam nos perguntado sobre a origem dos brinquedos que ele entregava e porque algumas crianças, as mais pobres, não recebiam nenhum presente. Não entendiam o motivo de tamanha injustiça. Explicamos a eles que os pais é que enviavam o dinheiro para o Sr. Noel. Por esse motivo é que as crianças das famílias mais pobres não conseguiam ganhar seus presentes. Também por isso é que há pessoas que vão as ruas, fantasiadas de Papai Noel e fazem à distribuição de bolas, bonecas, carrinhos,...

Durante alguns anos, quando eles eram menores (entre 3 e 8 anos) sempre os levamos para os bairros mais pobres da cidade onde moramos e fizemos com que eles dessem alguns de seus brinquedos usados (e bem conservados) para meninos e meninas carentes. Nunca me esqueço de minha filha, com seus quatro anos, abraçada a uma bonequinha a pensar se deveria ou não dá-la a uma menininha.

Segundos de suspense se passaram para que logo depois ela esticasse os braços e doasse aquele brinquedo, apesar do sentimento que ainda a ligava a ele. Era muito mais gostoso saber que uma outra criança ainda poderia ser feliz ao lado daquela boneca...

Hoje, prestes a cruzar a barreira dos 10 anos de idade, é meu filho que parece ter encontrado a resposta quanto à existência de Papai Noel. Ele passou a acreditar que o bom velhinho é, na verdade, todo esse sentimento de fraternidade, bondade e carinho que as pessoas sentem nessa época do ano.

As roupas vermelhas com detalhes brancos, a bela barba, o ar de felicidade, as bochechas rosadas e o riso inesquecível constituem a personificação daquilo que há de mais belo em todos os seres humanos e que nos foi concedido a partir das lições do filho de Deus...


O Filme

Ele ainda quer acreditar, mas as evidências contrárias são tantas que podem fazer dele um tolo diante dos outros. Por isso mesmo, ao se deitar em sua cama na véspera do Natal, o menino fecha seus olhos e, apesar disso, se mantém atento a qualquer movimento diferente que possa acontecer exatamente à meia-noite, na hora da virada do dia 24 para o 25 de dezembro.

A greve feita pelos atores que personificavam Papai Noel nas lojas das maiores cidades e a fantasia frouxa e larga de seu pai já não conseguiam iludir os sonhos daquele garoto. Por esse motivo, nesse Natal ele já não escrevera uma carta ao bom velhinho. Seus pais lamentavam que essa fase de sua vida já estivesse passando...

Mas, eis que, justamente quando faltavam apenas cinco minutos para a meia-noite, o menino vê luzes, sente um tremor e escuta o apito de um trem chegando. Tudo lhe parece muito estranho, afinal de contas, não há linhas férreas próximas de sua casa. Quando sai de sua casa para averiguar o que estava acontecendo, se depara com enorme trem estacionado em frente de sua residência e um homem a lhe chamar para o embarque.

Assustado, ele pensa durante alguns segundos se deve ou não entrar naquela locomotiva. Decide que isso não é prudente e não aceita o convite para viajar no Expresso Polar, rumo ao Pólo Norte, para conhecer Papai Noel. Quando o trem recomeça sua viagem ele se arrepende de sua primeira decisão e corre até as escadas de acesso do trem. Com um sorriso maroto nos lábios o condutor o aguardava e o conduz até seu banco.

Há muitas outras crianças no trem. Todos estão agitados. Entre eles o comum sentimento de desilusão quanto ao Natal e a existência do Sr. Noel parece ser um ponto de encontro. Será que essa viagem realmente vai lhes colocar frente a frente com Papai Noel e todos os seus duendes?

Numa mágica viagem em que se misturam aventuras e amizades em busca do verdadeiro sentido do Natal, o menino embarca em direção ao desconhecido querendo reencontrar os sentimentos que alimentara há pouco tempo atrás. E é naquele assustado garoto que se encontram as lembranças de cada um de nós e busca-se o resgate da felicidade que alguns parecem ter perdido. Não perca tempo, entre você também no Expresso Polar e busque os verdadeiros presentes que existem no Natal:- A paz, o amor e a felicidade.


Para Refletir

1- O consumismo desenfreado dos tempos atuais tem feito com que muitas crianças não atentem para o verdadeiro significado do Natal. As famílias têm que orientar os pequenos para a compreensão dessa festividade religiosa, para o nascimento de Cristo. Montar o tradicional presépio e dar tanto destaque para essa pequena e expressiva representação da natividade deve ser considerado mais importante do que a decoração da árvore de Natal. Aos pais também caberia contar a história do nascimento do menino Jesus e todas as dificuldades pelas quais passaram José e Maria.

2- Por acontecer numa época de férias escolares, o Natal não é tema de muitos trabalhos e conversas nas salas de aula. Seria importante que essa festividade se tornasse assunto debatido especialmente na Educação Infantil e nas primeiras séries do Ensino Fundamental. Para tanto deveria ser feita uma programação que envolvesse os alunos na última quinzena do mês de novembro. Nesse sentido poderiam ser feitas pesquisas em revistas, Internet, livros e até mesmo entrevistas para a confecção de painéis, dramatizações, presépios artísticos ou vivos,...

3- Participe de grupos e campanhas que ajudam os mais carentes nessa época do ano. Tente dar aos mais necessitados um pouco mais de esperança através da doação de um pouco de seu tempo, atenção e disposição. Doar alimentos, montar ceias de natal filantrópicas, dar brinquedos em orfanatos ou bairros pobres e, principalmente, estender a mão em direção a essas pessoas só fará bem a seu coração. Ensine desde cedo a suas crianças que a solidariedade é uma das maiores lições e presentes do Natal. E, principalmente, não restrinja sua bondade a essa época do ano. Isso pode e deve se estender ao longo de toda a sua vida.

4- Transforme os ensinamentos mais profundos daqueles que nos trouxeram lições de paz e amor em filosofia de vida. “Amar ao próximo como a si mesmo” deve se transformar em ações concretas e não apenas constituir uma abstração pela qual teoricamente nos orientamos. Viver esses ensinamentos nos aproxima mais e mais da eternidade...

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras
Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte: Aprendendo com o Cinema" (Ed. Intersubjetiva)

Sexta-feira, Dezembro 17, 2010

Pensamentos breves para uma vida melhor...


Toda e qualquer mudança passa por uma reavaliação de nossos parâmetros, de nossos comportamentos e, em muitos casos, a reformulação de nossa filosofia e ética de vida.

Tranquilidade, calma e paz de espírito. Desejo que todos consigam viver estas sensações em suas vidas. Se não é possível estar assim o tempo todo, que seja na maior parte do tempo. Não permita que seus problemas se tornem maiores que você e que tirem da sua vida a necessária serenidade. Seja Zen, literalmente, ou seja respire o ar e se permita sentir, tome um banho e perceba a água a escorrer pelo seu corpo, coma uma fruta e sinta o seu sabor e textura, abrace um amigo com carinho e faça com que ele sinta sua força interior. No mundo atual tudo é velocidade, pressa e nos esquecemos que "é preciso saber viver", como já dizia a música e que, certamente, tudo começa com o coração batendo num ritmo cadenciado e a mente sã, recheada de bons pensamentos e intenções!

Por vezes a tristeza toma conta do meu coração. Me sinto inseguro, tenho medo do hoje, do amanhã... Deixo as lágrimas rolarem, penso nas pessoas que amo, peço forças a Deus... Nessas horas respiro fundo e vejo que apesar de alguns problemas que temos, somos agraciados com a vida, a necessária força para trabalhar, o carinho de tantas pessoas e percebo que até este breve momento de tristeza faz parte da experiência humana e, como dizia Nietzsche, se não me mata, apenas me fortalece!


Guarde alguns minutos por dia para falar com Deus. Dirija suas palavras em agradecimento por tudo o que ele lhe deu e permite em sua existência. Peça suas graças e bençãos principalmente para as pessoas que ama, com as quais tem amizade, por seus colegas de trabalho. Entre em sintonia com o mundo a partir da compreensão de que tudo o que existe nesta Terra é criação divina.

A Sagrada Família representa os valores da fé cristã e também tudo aquilo que constitui o maior elo formado em vida pelos seres humanos. Pai, mãe e filhos se unem não apenas pelos laços de sangue, pelas semelhanças físicas, pelos gostos parecidos, por partilharem um mesmo teto, mas porque entre eles impera o amor genuíno, verdadeiro, único, imortal e eterno. Nunca perca a oportunidade de dizer a seus pais e irmãos o quanto os ama. Sempre que possível esteja com seus avós, tios, primos para consagrar a família em sua plenitude!

A bondade que contagia as pessoas na época do Natal é uma dádiva divina, bem-vinda e que muito auxilia as pessoas que mais precisam. É um daqueles milagres invisíveis que as pessoas não percebem e que, no entanto, tornam o mundo um lugar melhor, mais digno de se viver e certamente muito mais humano. Porque não ampliar a mágica deste momento iluminado do nascimento de Jesus uma constante? E fazer com que todos os meses possamos e nos mostremos dispostos a ajudar alguém? Estenda a sua mão no Natal e ajude aos necessitados, continue a fazê-lo igualmente ao longo de todo o ano. Seu coração agradece, as pessoas assistidas também!

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

Quinta-feira, Dezembro 16, 2010

Cartas da Mãe: As mordaças de ontem e de hoje...


São José dos Campos, 16 de Dezembro de 2010

Mãe,

Já faz tempo que li “Henfil na China”, mas parece que foi ontem. Acabei de ver um curta-metragem cujo título é “Cartas da Mãe” e conta um pouco da história deste brasileiro, o Henfil, que foi embora muito cedo e que, apesar disso, deixou para trás uma lição de otimismo, de alegria e de luta. Eram outros tempos. Era outro Brasil. As pessoas pareciam ter motivos para lutar, viver, acreditar, amar, rir e chorar...

Hoje, estamos vivendo uma globalização que nos faz esquecer quem somos, quais são nossas raízes, quem são nossos amigos e parentes, para onde queremos realmente ir... Perdemos o rumo em algum lugar do caminho, em algum momento da história... Percebi isso ouvindo as declarações que intercalam as belas e engraçadas cartas lidas pelo Abujamra e que nos colocam em contato com o Henfil que não conhecemos, aquele que é mais que humorista - é filho, é irmão, é brasileiro, é esquerdista, é cartunista, é marido, é pai...

Gente como Luís Fernando Veríssimo, Zuenir Ventura, Angeli, Laerte e até o Lula falam do Henfil como amigos, com carinho e reconhecimento. Revelam uma pessoa preocupada com os rumos de um país abalado pela ditadura, no qual as greves eram proibidas, em que os amigos iam para a cadeia simplesmente porque teimavam em expressar livremente seus pensamentos...

Mas preocupação não era somente o que vivia esse brasileiro, falecido prematuramente aos 43 anos... Henfil queria mais do que simplesmente se mostrar solidário, dando o ombro amigo ou concedendo tempo para escutar quem quer que fosse... Ele queria que fôssemos à luta, que arregaçássemos as mangas, que fizéssemos passeatas e greves, que pelejássemos pela nossa liberdade e felicidade...

Emocionou-me ouvir as palavras de carinho do cartunista sobre os irmãos - especialmente o Betinho - a devoção pelos pais, amigos, esposa e filhos. E isto não foi só impressão, todos os que se referiram a ele reiteraram esta e outras qualidades. Também sinto saudades de todos e dos encontros que nos fazem rir, trocar, crescer, chorar, pedir colo, falar sobre os sonhos e as realizações... Tenho vocês todos, assim como cada amigo, em minhas orações.

O Cartunista Henfil e sua mãe


Os tempos são outros e, se já não vivemos com a aparente mordaça da ditadura, não deixamos de ser silenciados e anestesiados... Henfil nos diz em uma de suas cartas à mãe que o pessimismo tinha tomado conta do país, conforme pesquisa divulgada nos jornais da época e que, este sentimento acabava nocauteando os brasileiros e os tornando inertes e incapazes de se rebelar, de amar, de viver, de rir ou de chorar...

Se naquela época todos percebíamos o quanto o “cálice” [para lembrar o Chico] era nefasto e nocivo, hoje nem parecemos perceber que existem mordaças e, se não sabemos que elas estão sendo colocadas sobre nossas bocas, como reagir? Como lutar? No começo do curta-metragem, ele diz na carta para mãe que os dubladores estavam em greve e que este fato era mais que justo, mas que depois que os filmes começaram a ser dublados no país, nunca mais pudemos saber ao certo qual era a voz do Kojak, do Baretta ou das Panteras... E arremata o raciocínio nos alertando para o fato de que a ditadura também não nos permitia soltar a voz, nos fazer reconhecer pelos outros, pelo Brasil ou pelo mundo... Não é também isto que está acontecendo agora, só que de forma mais sutil?

É, todas essas memórias só me fizeram lembrar o quanto era afiado o humor do Henfil e, mais que suas tiras ou textos, me fez ter orgulho de alguém que não era só um profissional fora de série, mas um brasileiro para ser sempre lembrado, curtido, lido...

Obs.: Mãe, assista o filme, é imperdível e, assim fazendo, poderá comprovar o que lhe disse nesta carta. O documentário está aqui, no Escolhendo a Pílula Vermelha e também no Curta na Escola!

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras

Quarta-feira, Dezembro 15, 2010

A Sociedade da Informação Total ou, o Mundo WikiLeaks


Não existem segredos. Nada pode ser omitido. Tudo tem que ser dito, falado em alto e bom tom, com todas as letras, sem reservas de informação. E quem se negar a entregar os dados completos será, de algum modo, repreendido. Erros relativos a omissão de informações, sendo repetidos, passam da repreensão para punições brandas e, a reincidência ocasionaria multas ou encarceramento...

Omitir é pecado tão mortal quanto mentir. Na Sociedade da Informação Total, como ficaria conhecido o mundo em que o WikiLeaks seria uma referência mais que presente, verdadeiramente onipresente, a verdade é a única saída. 

Estão certos ou errados em assim agir? Esta é uma das grandes questões da humanidade hoje e desde que o mundo é mundo. Qual o custo da verdade? O que acarretam as omissões? A mentira e sua perna curta, para onde leva as pessoas?

Verdade em tempo integral é um sonho impossível no horizonte para o qual pretendemos navegar ou é algo tangível, realizável, passível de se tornar a regra de ouro que regularia nossas vidas? 

Mentira é problema, é dor, é fuga, é erro sempre? Ou há momentos em que é necessária e que, assim sendo, podemos utilizar desse subterfúgio inventado por nós desde os míticos tempos de Adão e Eva, quando a serpente os ludibriou e tem representado a falsidade com que nos envolvem os maus espíritos, os demônios que atormentam o homem e seus descendentes?

Omissão é uma espécie de mentira ou é algo diferente? Para a maior parte das pessoas parece ser aceitável quando comparado com a mentira, mas de certo modo encerra em si o conceito contido em atos como enganar, ludibriar, enrolar...

As pessoas têm direito de omitir? E de mentir? Na hipotética Sociedade da Informação Total isto está completamente descartado. Digam a verdade sempre, nem mesmo a reserva de informação é admitida. 

Se assim fosse, qualquer tipo de dado confidencial, segredos de estado ou informações privilegiadas seriam considerados crimes, alguns até hediondos de acordo com seu alcance, magnitude e interesses. Arquivos que são guardados a peso de ouro pelos governos do mundo inteiro viriam a público, haveria uma grande consternação, uma lavagem de roupa suja, os eventuais responsáveis seriam punidos, talvez até linchados em praça pública, como os novos Judas...

Isso se pensarmos em governos e autoridades... E no caso das pessoas comuns, seus atos do cotidiano, como seriam afetados se suas omissões e mentiras tivessem que ser reveladas. Na Sociedade da Informação em que hoje vivemos a tendência a cada novo dia que passa é que todos estejamos mais e mais expostos, pela rede mundial de computadores. As câmeras nos espreitam e nos obrigam ao comportamento politicamente correto, a lisura total, abaixo o pecado e os erros, as omissões e as mentiras...


Mas, até que ponto somos assim? Perfeitos, puros, politicamente corretos, éticos em tempo integral, maravilhosos mesmo. Seria o Céu na Terra, a redenção total ou, por outro lado, será que o mundo foi destruído e estamos em transição, numa espécie de purgatório, migrando para a outra dimensão. Quem for bom e verdadeiro em tempo integral será selecionado para o Céu e, por sua vez, os falsos, omissos e mentirosos estão fadados a danação do inferno...

Não sou, pessoalmente, contra a verdade e nem a favor da omissão ou da mentira. Mas, analisando friamente, quem entre nós nunca omitiu alguma informação ou mentiu que atire a primeira pedra... E os segredos de estado, até que ponto é preciso revelar tudo? Não há informações que precisam, de fato, ficar durante algum tempo em poder apenas das autoridades?

Autoridades estas que, nos países democráticos, estão em posição de autoridade, poder e governo a partir de nosso consentimento, dentro de regras claras discutidas pelas sociedades livres e colocadas em vigor por parlamentares eleitos pelo povo.

Se confiamos na democracia, ainda que entre as leis estabelecidas estejam, com destaque aquelas que falam sobre o livre trânsito de informações e dados, é preciso que sejamos capazes de compreender que há questões a serem discutidas, tanto no âmbito geral quanto no particular, que precisam ser resguardadas. 

O que está em jogo e talvez muitos não percebam é a privacidade de pessoas e instituições. Sem segredos, as nações ficariam vulneráveis a pessoas e organizações que as ofendem, rechaçam, atacam... Se dados não forem guardados a sete chaves, a competição entre as empresas ficaria desigual e a melhoria de produtos e serviços tão necessária cessaria... Se a privacidade das pessoas não fosse resguardada, suas intimidades viriam a público e famílias ou pessoas poderiam sofrer perdas irreparáveis...

O mundo politicamente correto é miragem se considerarmos os bilhões de habitantes e interesses que habitam o planeta. Não quero, com isso, dizer que não devemos buscar e dar o melhor de nós mesmos na nossa relação com as pessoas, a natureza, as empresas e o mundo como um todo. Pelo contrário, vislumbramos a luz no fim do túnel e corremos para ela, hoje e sempre, mas será que se buscarmos a perfeição, o ideal matemático de Descartes, a vida nos conformes de cada letra impressa em preto e branco não estaremos de algum modo nos anulando quanto ao que nos caracteriza como seres humanos, errantes (em duplo sentido)?

Errar é humano, perdoar é divino. Quem nunca ouviu estes sábios dizeres populares. O que a Sociedade da Informação Total prega é que com o jogo totalmente aberto, de certo modo, o erro seja suprimido e que, com isso, o perdão já não seja necessário (e, por conseguinte, nem mesmo Deus).

Que fique claro, desde já que sou contra a prisão do líder do WikiLeaks. Sou contra tirarem o site do ar. Sou a favor da liberdade de expressão e de imprensa. Mas que é preciso alguma cautela quanto a divulgação de dados sigilosos e confidenciais dos governos do mundo todo, isto é fato. Assim como, que a privacidade de cada um de nós seja mais respeitada, antes que o Grande Irmão de Orwell seja mais que uma figura de ficção ou que o Admirável Mundo Novo de Huxley se tornem a ordem do dia...

Obs. Sobre o Politicamente Correto recomendo a leitura do texto "Breve Manifesto em Favor do Politicamente Incorreto"; Também acerca deste tema destaco o artigo "Abaixo a ditadura e a censura em que vivemos hoje".

Por João Luís de Almeida Machado
Membro da Academia Caçapavense de Letras